V24 - Gruta das Torres – Pico


De entre as inúmeras cavidades vulcânicas que podemos encontrar na ilha do Pico, é de destacar a Gruta das Torres, cujo traçado original se mantém num estado impecavelmente preservado. Pela sua dimensão e beleza, pela sua biodiversidade e geodiversidade e pela sua importância como património natural, esta gruta foi classificada como Monumento Natural Regional através do Decreto Legislativo Regional nº 6/2004/A de 18 de Março.
Devido ao seu interesse, e enquanto Monumento Natural Regional, esta cavidade vulcânica foi classificada, sobretudo, por constituir uma paisagem subterrânea de características muito especiais, o que lhe confere particular destaque no panorama vulcano-espeleológico regional, justificando-se, por isso, a sua geoconservação.
Localizada na freguesia de Criação Velha, a uma altitude de 285m, a sua origem prende-se com a formação de escoadas lávicas do tipo pahoehoe, emitidas pelo Cabeço Bravo. Constituído por um túnel principal de grandes dimensões e vários túneis secundários laterais e superiores de dimensões mais reduzidas, este é o
maior tubo lávico conhecido na Região Autónoma dos Açores, com cerca de 5 150 m de comprimento total, sendo o seu interior rico em formações lávicas, estalagmites lávicas, bancadas laterais, lava balls, paredes estriadas e lavas encordoadas. O chão é constituído por lava do tipo aa e pahoehoe, encontrando-se muito bem preservado em grande parte da gruta. As suas paredes encontram-se por vezes revestidas por óxidos de sílica.
O acesso à gruta é feito pelo seu Centro de Interpretação, recentemente inaugurado. Descida a escadaria de pedra existente no Algar da Ponte, penetra-se no seio do seu ambiente cavernícola, surgindo, imediatamente, a percepção da transição da vegetação arbórea da superfície, para uma vegetação mais rasteira dominada por fetos e musgos e outras formas de vida, como os líquenes, que se encontram no chão e paredes junto da abertura.
No que diz respeito à fauna troglóbia, foram identificadas, neste local, as espécies endémicas Trechus picoensis Machado e Cixius azopicavus Hoch. No entanto, as grandes dimensões desta cavidade fazem prever a existência de mais espécies que poderão ser encontradas em futuros estudos bioespeológicos.

C.F. (com base em desdobrável editado pela Direcção Regional do Ambiente)

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